
O medo da IA está virando parte do argumento de venda da IA
Os mesmos alertas que fazem a IA parecer perigosa também fazem as empresas por trás dela parecerem mais valiosas
The New Republic argumenta que os alertas de grandes laboratórios de IA agora cumprem duas funções ao mesmo tempo: sinalizam riscos reais e ajudam a convencer o mercado de que a tecnologia é poderosa o suficiente para justificar avaliações enormes.
A Anthropic é o exemplo mais claro. Ela publicou a agenda do The Anthropic Institute sobre empregos, riscos cibernéticos, vigilância, agentes autônomos e sistemas de IA que ajudam a construir futuros sistemas de IA.
O cofundador da Anthropic, Jack Clark, disse à Axios que há uma chance superior a 60% de que um modelo de IA treine totalmente seu sucessor até o fim de 2028. A Axios também descreveu o instituto como um movimento de posicionamento para a marca da Anthropic como laboratório de fronteira responsável.
Em janeiro, Dario Amodei publicou um longo ensaio sobre os riscos da IA poderosa. Dezessete dias depois, a Anthropic anunciou uma rodada de US$ 30 bilhões com valuation de US$ 380 bilhões.
A empresa agora avalia outra captação de dezenas de bilhões de dólares, informou a Reuters, citando o Financial Times. A rodada poderia aproximar a Anthropic de uma avaliação de US$ 1 trilhão e financiaria mais capacidade de computação.
A contradição é justamente o ponto. Se a IA é tão poderosa, ela precisa de supervisão. Se a IA é tão poderosa, os investidores também querem exposição. O alerta e o argumento de negócios vêm da mesma frase.
